Pessoas que desejam manter uma vida saudável, mas enfrentam dificuldades em organizar e sustentar hábitos de forma consistente, principalmente adultos que conciliam trabalho, família e compromissos pessoais em rotinas corridas.
Alia
Pesquisa e definição de produto para um app de bem-estar criado para tornar o autocuidado mais simples, contínuo e integrado à rotina de pessoas e profissionais de saúde.

Cuidar da saúde ainda é fragmentado
O desafio do Alia nasceu de uma fricção muito concreta: cuidar da saúde exige constância, mas a rotina transforma esse cuidado em tarefas espalhadas. Exercícios, alimentação, sono, exames, consultas e acompanhamento profissional ainda acontecem em ferramentas separadas, o que aumenta esforço, dispersa contexto e enfraquece a continuidade que a saúde preventiva precisa para funcionar.
Transformar intenção em regularidade
O Alia foi pensado para apoiar regularidade, e não apenas registro. A proposta central foi reduzir o esforço necessário para manter o cuidado ativo, com uma experiência simples o bastante para caber na vida real de quem concilia muitas prioridades. A pergunta que guiou o projeto foi direta: como transformar boa intenção em continuidade de uso e percepção real de valor?
Por que esse produto faz sentido agora
Antes de definir qualquer funcionalidade, o projeto mapeou o contexto da saúde preventiva e da saúde digital no Brasil. A intenção era entender se havia, de fato, um problema relevante, recorrente e com espaço real para uma solução integrada. Essa etapa foi importante para dar densidade ao case e evitar que ele nascesse só como mais uma ideia simpática de app.
De acordo com a OMS (Organização Mundial da Saúde), saúde é um estado de completo bem-estar físico, mental e social e não apenas a ausência de doença ou enfermidade. Essa definição amplia o olhar sobre o cuidado e reforça que prevenção, acompanhamento e qualidade de vida precisam fazer parte da rotina, e não apenas aparecer quando existe um problema instalado.
No Brasil, apesar da crescente atenção à saúde preventiva, alguns hábitos críticos persistem. Apenas 13% da população adulta consome frutas e hortaliças na frequência recomendada, 40,3% são considerados insuficientemente ativos fisicamente e 70,6% não realizam check-ups médicos regulares. Esses indicadores evidenciam a urgência de soluções que facilitem o cuidado diário, centralizado e com suporte preventivo.
A saúde digital vem transformando esse cenário ao oferecer alternativas mais acessíveis, integradas e centradas no usuário. No Brasil, essa inovação já aparece em aplicativos que conectam paciente e profissional, organizam histórico médico, acompanham hábitos de vida e reúnem consultas em um único espaço digital. Ainda assim, boa parte dessas experiências continua fragmentada.
Isso causa problemas para: Pessoas que desejam cuidar da saúde, mas enfrentam dificuldades em manter consistência em hábitos saudáveis, acompanhamento médico e organização de informações.
Por que: Atualmente, cada aspecto da saúde, como exercícios, nutrição, exames, consultas e check-ups, costuma estar fragmentado em diferentes aplicativos, papéis ou plataformas, muitas vezes privadas. Isso exige esforço extra para registrar dados, acompanhar resultados e lembrar compromissos, o que desestimula a continuidade e o uso.
Isso é importante por que: A falta de integração e facilidade de acesso compromete a prevenção e o monitoramento da saúde. Sem um histórico centralizado e apoio contínuo, o usuário tende a procurar ajuda apenas em situações de urgência, aumentando riscos e custos no longo prazo. Por isso, a prevenção aliada ao uso da tecnologia pode contribuir de forma concreta para uma melhor qualidade de vida e mais controle sobre a saúde.
5W1H para dar foco ao desafio
Depois de entender o cenário, o problema foi estruturado com 5W1H para sair do abstrato e definir com precisão o que precisava ser resolvido, para quem, em que momentos e com quais consequências. Essa síntese ajudou a transformar um tema amplo como bem-estar em um recorte de produto mais objetivo.
- Abandono de hábitos saudáveis, como exercícios, alimentação equilibrada e check-ups preventivos.
- Acúmulo de problemas de saúde que poderiam ser acompanhados antes de se agravarem.
- Estresse, culpa e perda de motivação pela dificuldade de manter acompanhamento contínuo.
- Atrasos em consultas, exames e cuidados importantes para prevenção.
- No cotidiano das pessoas, em casa, no trabalho e em deslocamentos, quando não conseguem acompanhar seus hábitos de forma prática.
- No sistema de saúde, público e privado, que muitas vezes recebe o paciente apenas quando o problema já está agravado.
- No dia a dia, quando a saúde precisa competir com outras prioridades urgentes.
- Quando o usuário precisa lembrar de consultas, exames, medicações ou metas de autocuidado.
- Ao buscar informações dispersas em aplicativos, papéis ou planilhas, o que desmotiva a continuidade.
- Falta centralização das informações de saúde em um único lugar acessível.
- Existe sobrecarga de tarefas e pouco apoio prático para manter constância.
- A saúde ainda é tratada de forma reativa, quando já existe dor, doença ou urgência, e não preventivamente.
- Isso é importante porque hábitos saudáveis e acompanhamento médico adequado reduzem riscos de doenças crônicas e melhoram qualidade de vida no longo prazo.
- Usuários precisam lidar com múltiplos apps e formas de registro para dieta, treino, agenda médica e histórico de exames.
- A falta de integração e praticidade gera frustração, esquecimento e sensação de esforço excessivo.
- Esse trabalho manual leva à desistência do acompanhamento e enfraquece a construção de hábitos preventivos.
Pesquisa secundária para embasar a hipótese
As pesquisas secundárias serviram para validar a relevância do mercado, observar como as pessoas se relacionam hoje com autocuidado e entender o papel crescente das soluções digitais no acompanhamento da saúde. Essa etapa organizou o repertório necessário para definir hipótese, linguagem e direção estratégica.
Palavras-chave e direção
O estudo percorreu temas como saúde digital, aplicativos de saúde, bem-estar, hábitos saudáveis, saúde preventiva, telemedicina e prontuário eletrônico. O objetivo era entender o ecossistema, e não apenas uma tela isolada. Esse repertório ajudou a enxergar padrões de mercado, lacunas de experiência e oportunidades de diferenciação.
Oportunidade de produto
As referências reforçaram que existe espaço para uma plataforma que reúna dados clínicos, hábitos, consultas e apoio profissional com menos esforço. Ao mesmo tempo, a pesquisa mostrou barreiras concretas: desigualdade de acesso, sistemas isolados e dispersão entre ferramentas. O papel do Alia, portanto, seria tornar o cuidado diário mais inteligível, acessível e contínuo.
O que precisava ser construído
Com o cenário e o problema melhor delimitados, o objetivo do projeto foi definido de forma estratégica, antes de qualquer discussão visual sobre interface. O foco era garantir uma tese clara de valor.
Objetivo central
Desenvolver uma plataforma de saúde digital integrada e centrada no usuário, capaz de reunir dados clínicos, hábitos de vida, consultas e suporte de especialistas em um fluxo simples e útil para o cotidiano.
O que isso precisava evitar
O produto não poderia nascer como só mais um app de registro. Ele precisava evitar excesso de entrada manual, dependência de memória, comunicação dispersa e falta de visão consolidada entre paciente e profissional.
Business Model Canvas e Value Proposition Canvas
Esses canvases ajudaram a transformar diagnóstico em proposta de valor. Em vez de correr para telas, o projeto usou essa etapa para alinhar dores, ganhos esperados e o papel do produto na rotina do usuário.
Business Model Canvas
O canvas foi usado para estruturar a proposta como plataforma de saúde all-in-one, olhando para públicos diferentes, canais, proposta de valor, recursos e relacionamento. Ele ajudou a entender como o produto poderia gerar utilidade real para pacientes e também para profissionais.
Value Proposition Canvas
O VPC refinou a leitura das dores do usuário: dificuldade de manter constância, excesso de dispersão, esquecimento de consultas e ausência de histórico unificado. A resposta de produto começou a se desenhar com mais clareza: lembretes, centralização, comunicação estruturada e visão integrada do cuidado.
Análise de concorrentes
Foram analisados oito concorrentes para entender posicionamento, padrões de interface, amplitude de funcionalidades e limites das soluções atuais. O benchmarking ajudou a evitar uma proposta genérica e a identificar onde a integração entre cuidado, rotina e histórico ainda falhava.
Referências de mercadoDe certezas a hipóteses testáveis
A Matriz CSD foi construída logo após o benchmarking para separar o que o time já sabia, o que ainda era hipótese e o que precisava ser investigado. Ela foi decisiva para a formulação do questionário, porque transformou percepções difusas em perguntas mais úteis e orientadas a decisão.
Base da pesquisa44 respostas para entender comportamento real
Com a base da CSD pronta, o questionário foi levado ao Google Forms e dividido em três blocos: perfil do respondente, percepção da própria saúde e rotina de hábitos. A ideia era sair da opinião superficial e capturar comportamento real, barreiras práticas e nível de adesão ao cuidado preventivo. A pesquisa foi pensada para sustentar decisões de produto, e não apenas para confirmar expectativas prévias.
Ajustes antes da coleta principal
A rodada exploratória com 6 participantes serviu para lapidar formato e clareza. Algumas perguntas viraram checkbox, outras ganharam condicionais e textos mais precisos para captar melhor rotina de saúde, autocuidado e hábitos sustentados no dia a dia.
Principais descobertas
A intenção de cuidar da saúde existe, mas a prática não acompanha. Falta de tempo, disciplina, motivação, rotina irregular e ausência de lembretes aparecem como barreiras centrais. A saúde preventiva ainda não faz parte da rotina de muitos usuários, que procuram atendimento apenas quando a dor ou o desconforto já interferem no cotidiano.
Também ficou claro que o uso de apps de saúde ainda é baixo e fragmentado. Mesmo quem já usa alguma ferramenta tende a consumir só uma função específica, como exercício, alimentação ou sono, sem integração suficiente para justificar manter tudo em um único ecossistema atual.
Personas para traduzir dados em gente real
O projeto construiu personas que representam pacientes e profissionais de saúde, usando storytelling para transformar achados de pesquisa em jornadas mais humanas. Mais do que perfis ilustrativos, elas funcionaram como ferramenta de alinhamento para tomada de decisão.
Personas e jornadasPriorizar o que gera mais valor
Depois da pesquisa e das personas, as funcionalidades foram organizadas pela matriz de esforço x impacto. Essa etapa transformou ambição em foco. Perfil de saúde, centralização de informações, lembretes inteligentes, comunicação estruturada e visão simplificada de acompanhamento apareceram como as prioridades mais claras para um primeiro recorte.
Itens como gamificação, área social e integrações mais complexas ficaram fora do escopo inicial. O projeto também passou por rabiscoframes para explorar fluxos antes de qualquer definição mais rígida.
Prioridade e direçãoUm estudo de descoberta e direcionamento
O valor do Alia está menos em uma tela final e mais na clareza construída pela pesquisa. O projeto terminou com cenário mapeado, problema bem enquadrado, hipóteses organizadas com método, personas coerentes e uma priorização inicial do que faria mais sentido explorar em produto.
Para ver o material completo da pesquisa, registros e aprofundamentos do estudo, acesse o conteúdo no Notion.
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